design-Quel



O novo salto da dança baiana

(Andréa Fernandes - Folha da Bahia)



Espetáculos vencedores do edital do Ateliê dos Coreógrafos Brasileiros podem dar novo fôlego à dança local


Depois de anunciados os cinco projetos vencedores do edital do Ateliê dos Coreógrafos Brasileiros, chegou o momento de se começar a articular os resultados da iniciativa. Os projetos que desfrutarão da união entre governo do estado e iniciativa privada são originários de quatro diferentes estados brasileiros: a Bahia tem dois projetos: Soco no vento ou sugestão da última palavra (de João Perene) e DVD digital vídeo dança (de Evelin Moreira); São Paulo tem Pele, coreografia de Ivani Santana; o Rio Grande do Sul será representado por Três motivos, de Jussara Miranda. Por fim, o Ceará terá o espetáculo Memórias em desalinho, de Karin Virgínia Girão, desenvolvido na Bahia.


Os cinco coreógrafos ficarão em residência na capital baiana durante dois meses, a partir do dia 25 de julho, contando com total suporte financeiro e técnico da organização do evento. A Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia, a Copene Petroquímica do Nordeste S/A e Tim Maxitel, através do Fazcultura, investem R$35 mil em cada um dos projetos e movimentam o clima na cidade promovendo o intercâmbio de informações na área.


"Eu acredito que o Ateliê vai esquentar o movimento da dança no estado, dando uma maior projeção ao que acontece por aqui", diz o mineiro João Perene, radicado há três anos na Bahia. Com o espetáculo Soco no vento ou sugestão da última palavra, Perene transforma em linguagem corporal uma experiência comunicativa vivida no tempo em que passou mergulhado na cultura européia, na Suíça. O coreógrafo propõe a derrubada das máscaras criadas pelas palavras não ditas e que acabam influenciando na vida: "Quando estava na Europa eu não falava a língua, minha comunicação era toda corporal. Foi aí que comecei e desenvolver o projeto", explica.


Também baiano, o espetáculo DVD digital vídeo dança, de Evelin Moreira, vai ter direção musical assinada pela percussionista Lan Lan. O projeto dá continuidade à pesquisa iniciada pela coreógrafa no espetáculo Sonar, onde há uma interação entre música ao vivo, projeção e dança. Em DVD..., Evelin dispensa a música ao vivo, mas faz questão de manter uma trilha criada especialmente para o espetáculo. "De DVD as pessoas podem esperar uma busca da dança como imagem, através da exploração dos sentidos. Não quero propor nada fechado, quero que cada um tire algo do que está assistindo, o elenco é só um veículo", destaca.


Para os coreógrafos vindos de fora, um dos maiores desafios acaba sendo a equipe de trabalho. Apesar de dividir a verba entre a Bahia e o resto do país no que diz respeito à seleção dos projetos, o Ateliê não abre mão de que 70% dos profissionais de cada projeto sejam residentes e domiciliados no estado da Bahia há pelo menos dois anos. "Trabalhar com pessoas que têm uma informação diferente encarnada no corpo assusta, mas é um aspecto interessante", comenta a paulista Ivani Santana, que faz a ponte aérea de São Paulo para Salvador por conta do espetáculo Pele.


Ivani Santana já é uma figura conhecida da comunidade de dança local. Ela foi convidada por Dulce Aquino para a elaboração do projeto que deu origem ao Lapac (Laboratório de Pesquisa em Cyberdança), da Escola de Dança da Ufba. Inspirado em Drywet, uma vídeoinstalação realizada nos Estados Unidos, no ano passado, Pele vai além do uso do vídeo de forma cenográfica e utiliza microcâmeras, computador, circuito fechado com câmeras e sensores para explorar a interatividade entre imagem e dança.


O Sul do país participa do Ateliê através do projeto desenvolvido pela gaúcha Jussara Miranda com a montagem Três motivos. "Eu me inspiro na poesia como humanidade e vou em busca da simplicidade, partindo, principalmente, das obras de Cecília Meireles, Mário Quintana e Carlos Drummond, no que se refere à poesia do corpo", diz a coreógrafa. A novidade trazida por Jussara é a adaptação de movimentos tirados da técnica Axel Sylabus, ainda pouco explorada no Brasil e difundida pelo bailarino americano radicado na França, Frey Faust.


Outra representante do Nordeste, a cearense Karin Virgínia Girão foi selecionada pelo Ateliê com a montagem Memórias em desalinho. O espetáculo é uma pesquisa sobre o corpo como objeto de caligrafia da vida cotidiana. "Quero falar de como o corpo recebe as informações e é mutável diante de cada cultura que ele também ajuda a construir", explica. "O mais difícil vai ser a construção corporal e intelectual em dois meses apenas. Mas também acho que justamente por isso vai ser muito intenso e muito bom", completa Karin Girão.


Os dançarinos interessados em se inscrever para a audição das coreografias selecionadas pelo projeto deverão levar seus currículos entre os dias 4 e 12 de julho à EP Produções Culturais (Rua Odilon Santos, 14, salas 26/27, Rio Vermelho). A estréia dos trabalhos está programada para o período entre 26 de setembro e 1º de outubro.


03/07/02 - www.correiodabahia.com.br






  • MATÉRIAS
  • HOME


    Quer ser meu vizinho? Venha para a
    VilaBOL

    Copyright 1999/2000 - Brasil Online - Todos os direitos reservados