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Correio da Bahia


Joceval Santana

Se não for bem dosada, a utilização de novas tecnologias em artes cênicas pode soar gratuita e não responder com eficiência ao apelo da intercomunicação tão festejada pela cena contemporânea. Esse é um risco para o qual não aponta o trabalho da jovem coreógrafa e dançarina baiana Evelin Moreira. Seu espetáculo Sonar, por exemplo, busca nos recursos tecnológicos um meio de ampliar a expressividade da dança, ao mesmo tempo em que oferece ao espectador outra possibilidade de percepção do movimento.

Moderno e multimídia (esqueça o desgaste desses termos), Sonar estreou maio de 1999 e, exatamente quando completa um ano de trajetória, ganha sua primeira apresentação fora da Bahia. Evelin integra a programação do festival Dança Brasil, que acontece no Rio de Janeiro, a partir de amanhã e até o próximo dia 27 de maio. A quinta edição do evento tem como tema Dança e tecnologia, e vai apresentar sete espetáculos (cinco estréias nacionais), além de mostra de vídeos, workshops e palestras, no Centro Cultural Banco do Brasil.

"Em 2001, queremos investigar como os coreógrafos brasileiros têm trabalhado as novas e instigantes possibilidades criadas pelas tecnologias digitais", explica Leonel Brum, diretor artístico do festival. Sonar se enquadra nessa categoria, já que o espetáculo promove um diálogo com vídeo e música eletrônica (e ao vivo). "É uma soma de esforços e de idéias, mas a matéria-prima continua sendo o meu corpo", define Evelin, ex-dançarina do Tran Chan.

Sonar está dividido em três partes. A primeira usa projeção simultânea em vídeo dos pés da dançarina, ainda no camarim. Na segunda, o vídeo continua presente, mas dessa vez com Evelin no palco e numa projeção mais lenta do que a dança realizada por ela, num diálogo acerca da percepção. A última parte é o que ela chama de "improvisação estruturada". "Essa parte sofre interferência da tecnologia musical", explica, "já que tenho um vocabulário de movimentos, mas a seqüência é resultado da programação musical".

Nas apresentações do Dança Brasil (de 17 a 20), Evelin vai utilizar uma base eletrônica feita por andré t, com música de Bono Vox e Beck, dentre outros. Mas, dessa vez, quem toca ao vivo são as percussionistas bambambãs Thamyma Brasil e Lan Lan , que já se apresentaram com a dançarina em Salvador."O espetáculo já é de natureza experimental e mutante. Essa é a sua essência. A tecnologia entra para facilitar a comunicação e ampliar o raio de ação", destaca Evelin.



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