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No Domingo, 15/07/01, o Solar do Unhão abrigou duas apresentações do Projeto Julho em Salvador, o "Sonar" com Evelin Moreira e o "Eu Pronome Pessoal Intransferível" com Ana Paula Bouzas


Por que a dança ?


Porque não tinha outro jeito, desde pequenininha eu vivia "pinotando" em casa, foi natural. Me formei em Balé Clássico, dei aula, depois fiz a escola de Dança na UFBA, formei em licenciatura. Quando me formei, ganhei uma bolsa para estudar condicionamento físico, acabei ficando durante um ano estudando e trabalhando em Barcelona. Lá eu tive mais contato com a interpretação, com o uso da música ao vivo, com a performance e foi o que me impulsionou a trabalhar com isso aqui.



Escolher essa carreira na Bahia é muito difícil ?


É muita ousadia, não só na Bahia, mas no Brasil. Lá fora é muito fácil trabalhar, você tem todos os recursos que precisa para isso. Lá eu tenho um projetor durante um mês, aqui eu tenho durante o dia que eu vou fazer a apresentação porque o aluguel é caríssimo, nesse sentido é muita ousadia. Mas como em qualquer profissão de arte você tem que lutar muito, para tornar possível e poder se sustentar com o que você faz.



O que é o Sonar ( apresentação realizada no Projeto Julho em Salvador ) ?


O Sonar não é um ponto final, é reticência. É uma antena que capta o movimento e o som. Foi um trabalho de pesquisa realizado em estúdio com os músicos, buscando o som que cada movimento exigia. Eu não estou falando sobre nada, nem sobre a dor, a insônia, a delícia, é um espetáculo de caráter mutante.
Eu nunca sei o que vou fazer exatamente, eu espero a interferência direta da música, é o que chamo de improvisação estruturada, eu tenho um bauzinho de movimentos e na hora, de acordo com os músicos, eu faço o espetáculo. No Rio foi com a banda da Cássia Eller, outra trilha e foi completamente diferente.



E a participação de Rebeca Matta (Faz uma apresentação recitando o texto Ladainha de José Saramago) ?


É uma participação antiga, o Sonar começou ano passado e Rebeca sempre vinha aos ensaios, a gente conversava muito sobre que música usar, e assim foi indo...
O Sonar é um trabalho de um conjunto de artistas, cada um contribuindo de um jeito.



No ano passado este projeto pela primeira vez incluiu a dança no roteiro, mesmo assim de forma muito tímida, qual a diferença este ano, tivemos evoluções ?


A Bahia tem uma participação histórica na dança, foi daqui que saiu a primeira escola de dança de ensino superior do Brasil, na UFBA. O povo baiano dança muito, não importa o que seja, ele dança. Então, a dança tem que está em projetos como, Julho em Salvador, Solaris, etc. Deveria está sempre no cenário baiano, unido a qualquer evento cultural que tenha na cidade, onde acontece show, tem que acontecer dança também.



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